À beira da ladeira dos “enta”…

 

Estou a dois passos dos 40. Faltam cinco meses, quase que precisamente. Entrando nos “enta” sem sentir o peso da idade… Quer dizer, isso até um dia desses, quando fui interpelada por uma colega de trabalho que soltou mais ou menos assim: “Suas crônicas falam para quem?.. Pra jovens ou pro pessoal de meia-idade como você?…” Gente, vocês conseguem ouvir a trilha sonora de pânico que ouvi na hora? Ou fui só apenas eu?.. Que tabefe na cara!

É meio absurdo me classificar assim, não?.. Eu ainda me acho tão juvenil. Nas lojas de departamento, por exemplo, fujo da seção das senhoras, nunca encontro nada com o meu estilo por lá. Minhas sobrinhas (adolescentes) conversam comigo sobre todos os babados do Twitter e o que está rolando nos stories do IG – e estou sempre por dentro de tudo. Só algumas vezes é que peço para elas falarem mais devagar, porque, no ritmo que vão, não conseguiria acompanhar ab-so-lu-ta-men-te nada e, confesso, já tive que vasculhar a internet, sim, para entender de qual meme tanto falavam…

Mas, olha, eu não tenho cabelos brancos. Ainda não vi rugas no meu rosto – tenho um bocadinho de olheira, mas é genético e, claro, acentuada quando estou muito cansada. Pode me chamar que eu vou, bateu numa caixa de fósforo e já estou sambando. Se bem que tem uns documentários novos fantásticos no Netflix e eu estou doida pra ver pelo menos dois filmes que estrearam semana passada no cinema, sem contar com o lançamento do livro do meu colega, lá no museu. Ou finalmente consigo terminar de ler o livro da cabeceira?..

Ah, pessoal, que coisa. O que é que tem?.. Sou jovem ainda. Saibam que gosto bastante de uma cervejinha com (meu segundo) marido e amigos. Eita, mas nem posso tomar muitas porque minha glicose está alterada há alguns anos e, por isso, já tomo remédio para combater o diabetes. E é bom escolher bem para onde vamos, não suporto ficar em fila para entrar em lugar algum. Sim, importantíssimo: já uso tênis no lugar dos saltos pra trabalhar, nem se eu tivesse cuspido na cruz de Jesus Cristo, os céus me dariam o castigo de passar o programa todo em pé! Me poupem.

Tem outra coisa. Tenho que ver se, neste fim de semana, estamos ou não com minha enteada. Porque aí é melhor um programinha mais light, tipo happy hour mesmo. Ah, vamos ver se tem parquinho ou ela fica entediada. Por sinal, como minha última glicemia em jejum estava acima dos 100, acho melhor ficar na Coca Zero. Melhor ainda: amo suco de abacaxi com hortelã, refrescante que só e ainda faz bem à saúde! Que tal?..

Tá bom, tá bom. Não tenho mais aqueeeele pique dos 20 ou 30 anos. Acho que está ótimo assim, aproveito um bocado de coisa que essa juventude ainda vai dar muito valor. Verdade. O último feriado é prova disso. Como o medo dos tubarões fala mais alto que ir à Barraca do Pingo, na praia de Boa Viagem, a gente fez as malas e pegou estrada. E levamos a maior galera, viu?! O fim de semana prolongado foi delicioso em um sítio onde alugamos uns bangalôs, no Litoral Sul pernambucano. Não era aquela confusão de gente para ir aos shows de Tamandaré, nem tinha o trânsito de buggies de Porto de Galinhas. Minhas amigas levaram os filhos lindos, pai, mãe e nós fomos até com Chico, meu maltês de 4 anos, que adorou correr pelos jardins. Uma farra só!..

Realmente ainda não entendo como minha colega de trabalho acha que estou envelhecendo… Meia-idade, eu? Tão jovem!.. Inclusive, mais nova que a mãe de muita gente!!.. 😛

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