Cative, cultive, conserve o amor

Uns chegam, outros vão. Nossa vida é com os que ficam. Li isso esses dias. Não sei a autoria da frase, mas achei incrível como, em tão poucas palavras, vai-se tão profundamente. E aí me danei a pensar na vida – nas paixões que já vivi, no amor que hoje compartilho e no que ainda quero do futuro. Afe, tanta coisa numa mente ariana só!

Ansiedade é meu sobrenome. Paciência é verbete raro no meu manual. E, segundo minha terapeuta ayurvédica, tenho olhos de pitta, o dosha do fogo. Já viu que o negócio é quente, né?! Segundo a astrologia, sou uma sonhadora. No meu extinto blog Menina Veneno, defini-me com a letra de Pagu, música de Rita Lee e Zélia Duncan: “Nem toda brasileira é bunda/ Meu peito não é de silicone/ Sou mais macho que muito homem”.

Especulações à parte, à beira dos meus 40, ainda sou uma romântica incorrigível. Acho que nunca vou deixar de ser. Sempre acreditei no amor, desde meu primeiro beijo, aos 11 anos, até mesmo quando ele me mostrou sua face mais cruel. Por sinal, doeu de verdade. E nem tinha como ser diferente. Para a mulher de Áries, nada pode ser pior que a traição de alguém querido.

Mas tantas vezes mais sofri de mal amar. Quem nunca? Desilusões de quantidade e tamanho variados. Depois de passado o pesar, prefiro me lembrar dos momentos risíveis. E, graças aos anjos que me conduzem pelos tortuosos caminhos dessa vida, são de perder a conta. Aliás, já narrei em muitas outras crônicas. Lembram? Ou: já sabem?

Como o dia em que um namoradinho da adolescência ficou pê da vida por ter que pagar ingresso do cinema e passagem do ônibus porque eu não tinha dinheiro trocado e, assim, ele ganhou fama de pirangueiro-mor entre minhas amigas do colégio. Quando o affair se achou o máximo ficando com uma cueca tipo Zorba de copinho de feira, de um tom roxo (!!!!) e eu tive que segurar a risada com muito estilo. Ou ainda a vez em que um raivoso ex-namorado deixou uma enorme caixa na portaria, com um monte de cacareco, incluindo um toco de vela que havíamos usado em um jantar a dois. Que papelão!..

Passado o parágrafo do flashback, vamos a alguns questionamos. Perguntas que sempre me fiz e nunca tive respostas satisfatórias. Garotos, sucesso da extinta banda Kid Abelha (anos 80, bebês), já dizia que eles perdem tempo pensando em qualquer truque contra a emoção. Pra mim isso é tão surreal!.. Se gosto, embarco de verdade, com boca, garras e coração. Inteira. Sem medir os passos… Ei, caras, qual é dessa de vetar sentimentos??

Aqui vou abrir um parêntese. É que Paula Toller – então vocalista do grupo que citei acima – embalou um momento bem cute das minhas histórias amorosas. Eu tinha no máximo uns 12 anos quando escrevi – sim, eu já fazia isso – para o menino que eu era apaixonada: “Depois de você/ Os outros são os outros e só” (Os outros, 1985). Que pirralha louca, achando que aquele seria o único amor da vida!… Hahhahaha. E o pior: ele não gostou, ficou com ciúme!.. heheheheh. Crianças!!

De volta à psiqué masculina, entendi que eles são variações do mesmo tema sem sair do tom, como diria Herbert Vianna, líder dos Paralamas do Sucesso, em “300 Picaretas”. Não estou falando do estereótipo de que todos não prestam – ou eu já teria partido para o outro lado do campo de ataque. Mas, assim como nós, mulheres, eles não vão sair muito do roteiro da sua natureza. Sejamos francas umas com as outras.

Relacionamentos estão sempre numa balança. A gente é que precisa saber para qual lado pende mais – das virtudes ou das imperfeições? Cuidar também é conjugar o verbo amar. O prazer a dois não pode se restringir a sexo, o que seria superficialidade demais. Respeito, carinho e atenção são coisas de que não dá para abrir mão. Nunca. Liberdade jamais pode ser confundida com libertinagem. E é o amor próprio o maior sentimento que se deve cuidar. Então, caríssimos, uns chegam, outros vão. Nossa vida é com os que ficam. Cative. Cultive.  Conserve o amor.

 

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