Em um relacionamento sério com o ventilador

Desde o final de 2018 que o calor me persegue. Não estou usando de figura de linguagem pra ilustrar o texto. É um fato. Fugi do Nordeste logo no início da dobradinha recesso/férias, mas conheci as chamas do inferno na maior selva de pedra do Sudeste. Achei que os posts dos colegas pernambucanos que moram em São Paulo fossem exagero, reclamação de nordestino que já se acostumou com as temperaturas mais amenas da cidade. Que nada, vi o burro, isso, sim!

Foi um tal de tomar litros d’água, sorvete, comprar chapéu no meio do passeio e até camiseta e mudar de roupa em pleno Centro, pra aliviar a sensação térmica. Pelamordedeus: não ventava naquela cidade e, segundo o site meteorológico Climatempo, as tardes de janeiro em São Paulo chegaram a 34,4°C. Pense! E olha que ainda nem falei sobre nossa hospedagem… Vou contar agora, relaxe, muda aí de parágrafo.

Somos adeptos do Airbnb. Sempre é uma experiência massa para melhor entender os costumes locais – especialmente fora do Brasil. Nunca nos decepcionamos com os apês por onde ficamos, mas, dessa vez, o que jamais havia me feito falta na pauliceia desvairada em outras épocas do ano, deixou-me completamente mal-humorada: não tinha ar condicionado. Olha, só não demos ponto negativo para o anfitrião porque ele tinha um retroprojetor com som digital na sala, que o Netflix virava um verdadeiro cinema, sem sair do apartamento. Aí, já viu, né? Só love.

Ao voltarmos para Hellcife, fomos assim recebidos: ar condicionado quebrado. Que maravilha. E meu marido, que se segura mais que tudo para fazer gastos não planejados, disse que aquilo não era nada, até ele poderia resolver. E fez alguma coisa?.. Os dias se passaram e nada do conserto do equipamento, só resmungos a cada nova dormida. Aí eu resolvi botar moral, usando uma palavrinha mágica para convencê-lo a tomar alguma atitude: “Vou COMPRAR um novo, não aguento mais o calor”.

Ô verbo poderoso. No mesmo dia, compramos um ventilador novo. Ah, vá lá, não foi (ainda) o refrigerador de ar, mas o “ventila” mais possante que encontramos. Dividi o máximo que pude no cartão de crédito e pensei: agora vai. Até que fiquei alguns dias vivendo um relacionamento sério com o novo equipamento – viva a Arno! Mas não demorou para eu ver o burro novamente. E nem poderia ser diferente. Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Climas (APAC), Recife e Região Metropolitana estão com quase dois graus acima da temperatura “normal” para o período.

Não sei vocês, mas eu só tô conseguindo sair de casa se for de cabelo molhado e vou secando no ar do carro mesmo, gerando na alta potência. Também só durmo de banho tomado, de cabeça. Mal saio do chuveiro, já vou ligando o ventilador na porta, para suportar o calourão enquanto troco de roupa. Estou evitando até maquiagem!

Janeiro chegando ao fim e continuamos a sofrer com o calor. Ficamos com dois ventiladores rodando no máximo no quarto, sem quase nada amenizar a situação crítica. Só depois de outras tantas noites mal dormidas, foi que ele finalmente viu que o gasto era necessário para a paz voltar a reinar em nosso lar. Então, segunda-feira, levamos o ar condicionado para o conserto. Salve, aleluia!..

Arno, querida, já deu pra nós. Meu caso de amor é mesmo com a Springer. A fila anda, tá?!..

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