Em chamas!

Vocês sabiam que, no Corpo de Bombeiros de Pernambuco, do total de 2.735 integrantes, apenas 222 são mulheres?.. O primeiro concurso com vagas femininas foi o de 2004, quando todos tiveram que se adequar à chegada das primeiras bombeiras. Para entender um pouco desde universo, conversei com a capitã Karla Almeida, de 38 anos, mãe de Kayke Rafael, de 9 meses, e jogadora de handeball; e ainda com Valeska Taurino, de 35 anos, do grupamento de incêndio, que é destaque na turma dos 42 alunos de jiu-jitsu da Corporação, onde só treinam apenas três mulheres. Não brinquem com essas garotas. Elas estão em chamas! Confere aí o vídeo! 😉

 

Pra não dizer que não falei das flores

Já imaginou estar à frente de um cargo público tentando defender pautas sociais importantes e ser perseguido, ameaçado e constantemente colocado em situações vexatórias para tentar diminuir a importância de suas lutas?.. E se esse cara tiver uma lista de prêmios recebidos?.. Em 2013, Medalha de Honra ao Mérito Pedro Ernesto, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e o Troféu Nelson Mandela, pela atuação em defesa da igualdade; integrante da lista de 50 personalidades destaque na defesa da diversidade da revista The Economist em 2015 e, no mesmo ano, escolhido o melhor deputado federal, pelo Congresso em Foco.

Nordestino, nascido no interior da Bahia, o professor e jornalista de 44 anos Jean Wyllys (PSOL-RJ) assumiria em fevereiro o seu terceiro mandato na Câmara Federal, onde vem lutando, desde 2010, por políticas públicas mais justas para LGBTs, negros e mulheres, mas, há poucos dias, anunciou que, temendo por sua vida e de seus familiares, está decidido a deixar o Brasil. Para nos ajudar a refletir sobre o assunto, conversei com a co-deputada Kátia Cunha, assumidamente lésbica, eleita para a Assembleia Legislativa de Pernambuco na candidatura conjunta Juntas (PSOL-PE), junto a outras quatro mulheres. E ainda com o artista da cena da diversidade Filipe Catto, que também já pensou em sair do país por não se sentir seguro. Confere o vídeo 😉

 

Em um relacionamento sério com o ventilador

Desde o final de 2018 que o calor me persegue. Não estou usando de figura de linguagem pra ilustrar o texto. É um fato. Fugi do Nordeste logo no início da dobradinha recesso/férias, mas conheci as chamas do inferno na maior selva de pedra do Sudeste. Achei que os posts dos colegas pernambucanos que moram em São Paulo fossem exagero, reclamação de nordestino que já se acostumou com as temperaturas mais amenas da cidade. Que nada, vi o burro, isso, sim!

Foi um tal de tomar litros d’água, sorvete, comprar chapéu no meio do passeio e até camiseta e mudar de roupa em pleno Centro, pra aliviar a sensação térmica. Pelamordedeus: não ventava naquela cidade e, segundo o site meteorológico Climatempo, as tardes de janeiro em São Paulo chegaram a 34,4°C. Pense! E olha que ainda nem falei sobre nossa hospedagem… Vou contar agora, relaxe, muda aí de parágrafo.

Somos adeptos do Airbnb. Sempre é uma experiência massa para melhor entender os costumes locais – especialmente fora do Brasil. Nunca nos decepcionamos com os apês por onde ficamos, mas, dessa vez, o que jamais havia me feito falta na pauliceia desvairada em outras épocas do ano, deixou-me completamente mal-humorada: não tinha ar condicionado. Olha, só não demos ponto negativo para o anfitrião porque ele tinha um retroprojetor com som digital na sala, que o Netflix virava um verdadeiro cinema, sem sair do apartamento. Aí, já viu, né? Só love.

Ao voltarmos para Hellcife, fomos assim recebidos: ar condicionado quebrado. Que maravilha. E meu marido, que se segura mais que tudo para fazer gastos não planejados, disse que aquilo não era nada, até ele poderia resolver. E fez alguma coisa?.. Os dias se passaram e nada do conserto do equipamento, só resmungos a cada nova dormida. Aí eu resolvi botar moral, usando uma palavrinha mágica para convencê-lo a tomar alguma atitude: “Vou COMPRAR um novo, não aguento mais o calor”.

Ô verbo poderoso. No mesmo dia, compramos um ventilador novo. Ah, vá lá, não foi (ainda) o refrigerador de ar, mas o “ventila” mais possante que encontramos. Dividi o máximo que pude no cartão de crédito e pensei: agora vai. Até que fiquei alguns dias vivendo um relacionamento sério com o novo equipamento – viva a Arno! Mas não demorou para eu ver o burro novamente. E nem poderia ser diferente. Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Climas (APAC), Recife e Região Metropolitana estão com quase dois graus acima da temperatura “normal” para o período.

Não sei vocês, mas eu só tô conseguindo sair de casa se for de cabelo molhado e vou secando no ar do carro mesmo, gerando na alta potência. Também só durmo de banho tomado, de cabeça. Mal saio do chuveiro, já vou ligando o ventilador na porta, para suportar o calourão enquanto troco de roupa. Estou evitando até maquiagem!

Janeiro chegando ao fim e continuamos a sofrer com o calor. Ficamos com dois ventiladores rodando no máximo no quarto, sem quase nada amenizar a situação crítica. Só depois de outras tantas noites mal dormidas, foi que ele finalmente viu que o gasto era necessário para a paz voltar a reinar em nosso lar. Então, segunda-feira, levamos o ar condicionado para o conserto. Salve, aleluia!..

Arno, querida, já deu pra nós. Meu caso de amor é mesmo com a Springer. A fila anda, tá?!..

O “policial” do Batalhão Rodoviário

Seguindo no ritmo das férias, nesta semana, não posto aquela crônica em vídeo como costumo fazer. Dessa vez, faço um bocadinho diferente. Há poucos dias, em pleno trânsito do Grande Recife, flagrei uma figura beeem curiosa: um idoso, pedalando uma bicicleta toda adaptada como as motos do Batalhão de Polícia Rodoviária da Polícia Militar de Pernambuco. Não sosseguei até descobrir algum contato que me levasse a ele. Consegui. E, assim, conheci de perto um grande sonhador, de alma leve. Conheça também Severino dos Santos, o Biu do BPRV de Camaragibe. 😉

Embalos de sábado à noite

Tirar meu marido de casa é um drama, mas, de férias, não consigo admitir descansar o que não cansei durante de segunda a sexta e me perder no menu do Netflix no fim de semana. Todo mundo espera – e eu também – bem mais de um sábado à noite. Havíamos tentado ir a uma festinha hype com amigos, mas o programa furou. Aí me lembrei de uma casa de cervejas artesanais com um bom rock ao vivo. Pronto. Tudo certo. Vamos lá.

O cenário era um prato cheio pra minha mania de observar o comportamento social. Havia vários estereótipos. A começar por nós mesmos. Eu e ele éramos tipicamente o casal de relacionamento consolidado, saliente-se, ainda com chama acesa – com intimidade para entender um ao outro apenas com um gesto ou olhar, sem necessidade de se agarrar compulsivamente, mas, com o aumento do teor alcoólico na veia, declarações e intenções se tornavam mais ordinárias. Como nós, outros tantos, tal o rapaz ao lado, que estava com a esposa grávida. Um amor!

Um giro no ambiente e me pergunto: será que ainda tem homem que pensa que a mulherada se arruma toda pra eles? Ha-ha-ha. Né não, viu?!.. As xovenzinhas daquele bar eram a prova real disso e não estavam ali pra brincadeira. Algumas me pareciam ter apostado com as migs quem tinha malhado mais nos últimos dias, usando as roupas que mais delineassem as curvas. Estavam lindas, eu é quem não curto aqueles modelos – só pra ficar claro!.. Havia outras que não paravam de dar aquela checada na make e no look geral, usando o smartphone como espelho. Há quem fizesse tanta postagem, que deixasse o chopp esquentar. Detalhe é que, até onde vi, nenhuma delas estava em clima de paquera com carinha nenhum… só com elas mesmas.

Mas sabe o grupo que mais me chamou a atenção? Dois trios. Um de garotas e outro de garotos. Elas, bonitas e visivelmente bem resolvidas. Até o jeito como estavam arrumadas parecia bem mais natural que as demais, sem que estivessem um tico sequer menos belas ou bem vestidas. Não perdiam tempo com redes sociais. Estavam ali para curtir música, cerva e a amizade, com divertidos papos. Ao lado delas, o grupo de rapazes. Cada um no seu estilo, com seu charme, curtindo o ambiente, o menu, o som e o papo de amigos que pareciam ser de longa data. Não havia aquele velho mal-estar de ficar forçando a barra no decorrer da noite. Cada um na sua e todos felizes.

Diferente de outras casas noturnas, que só recebem a galera com no máximo 30, o público era de faixa etária eclética – graças a Deus – e todos estavam curtindo a seu modo, com mais ou menos gingado para a trilha musical. Por sinal, eu tava ali vibrando por ter optado, mais uma vez, pelo conforto e não ter que ficar com os pés doloridos por causa de salto alto, quando o tênis sempre me permite dançar por muito mais tempo. 😛

Mas tem gente que nasceu pra tiozão. E no pior sentido do termo. Eram no máximo 22h e o cara já estava lá cambaleando de tão bêbado. E, toda vez que passava por entre um grupo de mulheres, alisava os ombros e/ou cotovelos delas, como quem queria pedir licença, mesmo havendo espaço de sobra para que ele seguisse sem tocar em ninguém.

Tínhamos chegado umas 20h, por isso, 23h estávamos saindo, com sono, diga-se de passagem – era o corpo já nos lembrando que os 40 estão chegando. Pagamos e, na saída, uma funcionária pede nossos cartões de consumo e logo emenda com um pedido de desculpa. ”Perdoem-nos, isso não é o padrão de nossos clientes, já estamos resolvendo isso”. Olhei ao nosso lado e lá estava o tiozão, sendo segurado por dois seguranças e ainda alterando, dizendo que podiam chamar a polícia. Sem entender, perguntei o que estava acontecendo. “Ele entrou no banheiro feminino e tentou agarrar algumas mulheres”, respondeu-me a moça. Putz, que raiva eu fiquei!!..

Meu marido se saiu com essa logo de cara: “Se não fosse dar processo, era bom que o bar colocasse uma placa com a foto do sujeito lá dentro, informando que é um abusador e que, se for visto no local, deve ser imediatamente colocado pra fora”. Infelizmente, não contamos com o sistema de leis ao nosso favor – nem estamos nos tempos do velho oeste para afixar na parede um panfleto de procurado, embora esses tipinhos sejam, sim, criminosos.

O babaca não maculou a nossa atmosfera de sábado à noite, mas constrangeu algumas das mulheres da casa noturna que, talvez tenham até voltado pra casa mais cedo, sem graça, ou tiveram apenas de engolir a situação, simplesmente porque aquele homem achou que poderia se aproveitar delas… Até quando vamos ter que aguentar esses imbecis??.. Digo, certamente, por todas as mulheres: cansamos. Deixem-nos curtir em paz.

Quem não pode com a formiga, não assanha o formigueiro

Depois do recesso de fim de ano, cá estamos de volta, no modo férias. Por isso, o formato diferente. Dividindo-me entre diversão, viagens e descanso, sigo de olho nas notícias e em (quase) tudo a meu redor.  E, olha, as polêmicas dos últimos dias foram muitas, a começar pelas recuadas do governo Jair Bolsonaro. Particularmente, não quis dar muito cartaz ao vídeo dos jovens empresários falando mal de nordestino, mas, irritou-me saber que, enquanto o salário mínimo decresceu na nova gestão federal, filhinho de vice-presidente passou a receber R$ 36,3 mil… Nepotismo na cara dura.

Confere aí a crônica da semana 😉

O diabo veste Adidas

Normalmente é promessa de ano-novo, mas, dado o meu histórico, tá mais pra compromisso de vida mesmo. Ô tortura é manter as atividades físicas em dia, viu?! Devo ser a queridinha do mundo fitness: dando um lucro danado às academias – nunca fecho o ciclo completo e, mesmo assim, insisto em pagar adiantado o pacote anual. É uma luta! E, então, ano novo, matrícula nova. Agora vai?..

Entendam o drama que parece já fazer parte de mim. Voltemos no tempo. Meu boletim escolar era cheio de 9 e 10,  mas, em se tratando de Educação Física, caía sempre para o B, rapando num C bem vermelhinho!..  Meu lugar mais alto era no pódio como a maior organizadora das torcidas nas Olimpíadas, mas fugia como o diabo foge da cruz das competições! Cheguei a me arriscar na ginástica rítmica e a rinite me mantinha na natação, mas gostava mesmo era das aulas de teatro que, infelizmente, nunca me fizeram perder calorias.

Passado o passado, minha vida é traçar os mais (falíveis) planos pra tentar não falhar com os exercícios. No ápice da solteirice, ia nos horários mais bombados, pra me empolgar com os gatos da academia, mas, claro, eles só tinham olhos para as meninas do mesmo naipe– e isso, meus caros, nunca almejei: não dou pra halterofilista. Não mesmo.

Ah, já tentei me integrar ao grupo do funcional, achando que exercício ao ar livre era a solução para não cair no sedentarismo de vez. Na primeira sequência no Parque da Jaqueira, sequer consegui fechar o circuito e fiquei roxa de tanto suar debaixo do sol escaldante. Fui só uma vez e ainda fiquei um tempo no grupo de WhatsApp pra ver se me animava, sem sucesso.

Vivo usando o truque de deixar a roupa e o tênis ao lado da cama, pra já acordar no pique. Depois de alguns meses com o sapato empoeirando, minha faxineira o colocou na área de serviço pra lavar e passei mais um tempão pra me lembrar da sua existência. Por falar em tênis, aliás, uma vez, um instrutor me convocou a comprar um par novo, pois disse que eu não precisava usar aquele que estava descolando. Ele dizia que o pessoal já tinha entendido que eu não era burguesinha como tantas outras ali…

Nessa época, peguei um corpão e me empolguei pra comprar uns looks mais ousados pra malhar. Oxe! Quando vi o preço das peças, desisti imediatamente. Mais caro que muita roupa que uso só em festa de casamento. Não cabe no orçamento de jornalistas.

Por isso, vou bem discreta à academia. De cara lavada, roupa amassada e empolgação só tenho na hora de conversar. Mas não consigo entender como tem um bocado de mulher vai mega maquiada, cabelo escovado, fica o tempo todo falando ou trocando mensagem ao celular pra marcar alguma farra e, mesmo sem parar de falar na cerveja que tomou ou vai tomar, tem aquela barriga seca de dar inveja. Argh!

Ó, céus, salve-nos dos pecados capitais na hora de treinar!.. Confessa aí, quando não é a inveja, bem que bate a cobiça no personal trainer gatíssimo da coleguinha, ou a preguiça nossa de cada dia de fazer o treino certinho, sem contar com o combo ódio de quem deixa a TV ligada em programas de culinária na área das esteiras só pra a gula nos pegar de jeito!..

Bem, você pode estar aí se perguntando: por que essa mulher não paga um personal?.. Ah, meu bem, já fiz isso. Nosso combinado era fazer exercícios três vezes por semana, mas, no máximo, chegava a uma aula semanal… Ela perdeu a fé em mim.

Enfim, janeiro de 2019, tô indo pra guerra. Vou esquecer o tempo perdido e começar de novo – afinal, não há incentivo maior que as roupas apertadas no pós-festas de fim de ano. Mais uma primeira ficha para o meu extenso arquivo, é verdade, mas essa vai ser A ficha de treino. Algo me diz. Hoje vi um instrutor bem gordinho, fugi – se ele não reverteu a gula dele, que dirá a minha preguiça?!.. Caí nas mãos de um aprendiz do satanás. Que Deus me defenda, mas agora vai.

Foi bom pra você?..

2018 foi um ano, no mínimo, intenso. Vamos relembrar alguns dos fatos mais marcantes?.. E me digam aí: o que teve de melhor e de pior no ano de vocês?.. Ah, adeus ano velho, viu?.. Foca em 2019, que tudo vai dar certo. 😉

FICHA TÉCNICA:

Projeto e texto: Sílvia Leitão

Fotografia: Rafael Reynaux

Edição de imagens: Sérgio Rabêlo

De carona é bem mais divertido

Acho que todo mundo tem uma história pra contar sobre as viagens em transportes públicos. Eu, inclusive. Ainda estudante, era usuária de várias linhas – desde CDU/Várzea e Rio Doce/Dois Irmãos, quando morava na Cidade Universitária, passando para Casa Amarela/Rosa e Silva e Córrego da Areia, depois de ser moradora da Zona Norte.

São muitas memórias dos “busões”. Lembram dos meninos gasguitos que subiam pra cantar, em busca do couvert dos passageiros?..  A gente era obrigado a aguentar até a última música – repertório de Chitãozinho e Xororó pra lá. Uó!!.. No meio do aperto, repentista (como no vídeo), vendedores de água e pipoca, ex-drogado dando testemunho da salvação em Cristo… E aquelas canetas que você comprava para alguém que “podia estar roubando” e, no final das contas, nem funcionava…  Alguém mais se lembra daquele senhorzinho bem magro, que andava com uma bolsa cheia de urina na Avenida Rui Barbosa? Uma imagem triste demais…

Dos tempos dos estágios em Comunicação por Recife e Região Metropolitana, não dá para esquecer do (infernal) Terminal Integrado da Macaxeira, sempre lotado; e das extintas lotações, que me levavam até Camaragibe – “Arrasta, motô”!.. Eram um insulto ao Código Brasileiro de Trânsito aquelas Kombis!.. Os motoristas corriam, furavam sinais de trânsito, ninguém usava cinto de segurança e sempre cabia mais um passageiro, mesmo que dona Maria já estivesse carregando o neto no colo, fosse o pagamento em dinheiro ou em vale A ou B.

Vieram os táxis. Morando sozinha ao final do primeiro casamento, tinha uma frota em frente a meu prédio. Sem veículo na garagem, a qualquer atraso para os compromissos, lá estava eu usando o serviço de um daqueles motoristas que estavam à disposição. Mas meu predileto era Jorge. Simpático, educado, sorridente e muito bem vestido – ele só dirige de blazer! Tinha sempre uma palavra amiga, acenava toda vez que eu passeava pela rua com Chico, meu cachorro, e ainda me emprestava livros! Fino e culto ele… Faz tempo, sou usuária VIP dos aplicativos – aqui em casa, dividimos o carro, e nem sempre estou motorizada. Mudam os veículos, multiplicam-se as histórias.

Da era Uber, 99 Táxi, Easy Táxi e afins também já tenho memórias. Infelizmente, nem todas legais. É que, em janeiro de 2017, fui vítima de um golpe, em desses carros de App. Usando identidade falsa, o sujeito me tirou pouco mais de R$ 1,2 mil, no lugar dos R$ 7,16 da corrida. Ele passou meu cartão numa maquineta com visor camuflado por identificação de uma tradicional companhia de táxi da cidade, para dar legitimidade. Ao descobrir o furto, prestei queixa, reconheci o suspeito na Polícia Civil e consegui que abrissem investigação do caso. Há mais de 30 outras vítimas como eu, tentando fazer com que ele cumpra pena pelo crime que cometeu, mesmo sem haver flagrante.

Mas, justiça seja feita: os motoristas – de ônibus, táxi, Kombi ou Uber e de APPs – sempre tiveram papel marcante em minha vida. Quando eu pegava às 6h na Folha de Pernambuco, por exemplo, o profissional que me levava sempre no mesmo horário, na linha Dois Irmãos/Rui Barbosa, já me deixava na esquina mais próxima ao jornal, para eu não andar muito pelo deserto Recife Antigo daquele horário. Detalhe: nunca fomos de conversar, a gentileza dele era fruto apenas da observação da minha realidade.

Os das empresas de comunicação em que trabalhei também são personagens da minha história. É que jornalista tem uns horários meio loucos e os patrões ficam na obrigação de nos pegar ou deixar em casa, a depender do expediente. Eles são nossos anjos, mas sempre tem aquele 1%… Um deles se destacou como vilão. O cara corria que só, até em dias de chuva, só pra dar uma de machão. Era tanta pressão psicológica andar com ele, que eu desisti do meu direito de ir com o carro do trabalho.

Mas ainda bem que meus enredos sempre tiveram mais mocinhos que bandidos. Ah, quantas vezes não contei com o companheirismo dos colegas da Rádio Jornal, que, se percebessem que eu tinha perdido a hora, ligavam até que eu acordasse, pra não chegar muito além das 4h da manhã na redação. Hoje, conto com a companhia de Seu Fábio e Lampião, que fazem do trajeto Santo Amaro-Parnamirim, às 22h, uma alegria só!

É muito papo: bastidores da emissora, política brasileira, programação do fim de semana, confissões de última hora… A mais recente delas foi narrada por um colega que sempre segue com a gente no mesmo comboio. Dia desses, ele pegou um Uber à noite e notou que estava sendo cantado pelo cara. Ihh, foi um tal de o sujeito contar sobre os clientes que até já passaram a mão na perna dele, perguntar estava namorando… Eu sei que, pra conseguir dar um chega pra lá no boy, a saída foi dizer que era filho de militar e que a educação dele não permitia esse tipo de comportamento… “Com todo o respeito, claro”, garantiu-nos.

Amigos, é por essa e por tantas outras que eu só posso dizer muito obrigada: as risadas estão sempre em dia com vocês. Mesmo depois das tardes pesadas de edição na TV, durmo leve, leve. E acordo com as energias renovadas para mais um dia, pronta para enfrentar qualquer trajeto dessa vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um Natal de paz, em nome de Jesus!..

Haddad virando réu em processo por corrupção em lavagem de dinheiro; futura ministra do presidente eleito planejando criar uma espécie de Bolsa-Estupro para vítimas de abusos sexuais; relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontando transações de R$ 1,2 milhão em um ano na conta de um ex-motorista do gabinete de deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do futuro presidente e eleito senador em outubro… Ihhh, as eleições 2018 acabaram, mas as coisas seguem quentes no Brasil. Será que o clima entre os “petralhas” e “bolsomínions” voltou a ser de paz ou nem o espírito natalino amansou as feras?.. Confere aí a crônica dessa semana e se diverte!.. 😉

FICHA TÉCNICA:

Projeto e reportagem: Sílvia Leitão

Edição de Imagens: George Cordeiro