Em um relacionamento sério com o ventilador

Desde o final de 2018 que o calor me persegue. Não estou usando de figura de linguagem pra ilustrar o texto. É um fato. Fugi do Nordeste logo no início da dobradinha recesso/férias, mas conheci as chamas do inferno na maior selva de pedra do Sudeste. Achei que os posts dos colegas pernambucanos que moram em São Paulo fossem exagero, reclamação de nordestino que já se acostumou com as temperaturas mais amenas da cidade. Que nada, vi o burro, isso, sim!

Foi um tal de tomar litros d’água, sorvete, comprar chapéu no meio do passeio e até camiseta e mudar de roupa em pleno Centro, pra aliviar a sensação térmica. Pelamordedeus: não ventava naquela cidade e, segundo o site meteorológico Climatempo, as tardes de janeiro em São Paulo chegaram a 34,4°C. Pense! E olha que ainda nem falei sobre nossa hospedagem… Vou contar agora, relaxe, muda aí de parágrafo.

Somos adeptos do Airbnb. Sempre é uma experiência massa para melhor entender os costumes locais – especialmente fora do Brasil. Nunca nos decepcionamos com os apês por onde ficamos, mas, dessa vez, o que jamais havia me feito falta na pauliceia desvairada em outras épocas do ano, deixou-me completamente mal-humorada: não tinha ar condicionado. Olha, só não demos ponto negativo para o anfitrião porque ele tinha um retroprojetor com som digital na sala, que o Netflix virava um verdadeiro cinema, sem sair do apartamento. Aí, já viu, né? Só love.

Ao voltarmos para Hellcife, fomos assim recebidos: ar condicionado quebrado. Que maravilha. E meu marido, que se segura mais que tudo para fazer gastos não planejados, disse que aquilo não era nada, até ele poderia resolver. E fez alguma coisa?.. Os dias se passaram e nada do conserto do equipamento, só resmungos a cada nova dormida. Aí eu resolvi botar moral, usando uma palavrinha mágica para convencê-lo a tomar alguma atitude: “Vou COMPRAR um novo, não aguento mais o calor”.

Ô verbo poderoso. No mesmo dia, compramos um ventilador novo. Ah, vá lá, não foi (ainda) o refrigerador de ar, mas o “ventila” mais possante que encontramos. Dividi o máximo que pude no cartão de crédito e pensei: agora vai. Até que fiquei alguns dias vivendo um relacionamento sério com o novo equipamento – viva a Arno! Mas não demorou para eu ver o burro novamente. E nem poderia ser diferente. Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Climas (APAC), Recife e Região Metropolitana estão com quase dois graus acima da temperatura “normal” para o período.

Não sei vocês, mas eu só tô conseguindo sair de casa se for de cabelo molhado e vou secando no ar do carro mesmo, gerando na alta potência. Também só durmo de banho tomado, de cabeça. Mal saio do chuveiro, já vou ligando o ventilador na porta, para suportar o calourão enquanto troco de roupa. Estou evitando até maquiagem!

Janeiro chegando ao fim e continuamos a sofrer com o calor. Ficamos com dois ventiladores rodando no máximo no quarto, sem quase nada amenizar a situação crítica. Só depois de outras tantas noites mal dormidas, foi que ele finalmente viu que o gasto era necessário para a paz voltar a reinar em nosso lar. Então, segunda-feira, levamos o ar condicionado para o conserto. Salve, aleluia!..

Arno, querida, já deu pra nós. Meu caso de amor é mesmo com a Springer. A fila anda, tá?!..

Embalos de sábado à noite

Tirar meu marido de casa é um drama, mas, de férias, não consigo admitir descansar o que não cansei durante de segunda a sexta e me perder no menu do Netflix no fim de semana. Todo mundo espera – e eu também – bem mais de um sábado à noite. Havíamos tentado ir a uma festinha hype com amigos, mas o programa furou. Aí me lembrei de uma casa de cervejas artesanais com um bom rock ao vivo. Pronto. Tudo certo. Vamos lá.

O cenário era um prato cheio pra minha mania de observar o comportamento social. Havia vários estereótipos. A começar por nós mesmos. Eu e ele éramos tipicamente o casal de relacionamento consolidado, saliente-se, ainda com chama acesa – com intimidade para entender um ao outro apenas com um gesto ou olhar, sem necessidade de se agarrar compulsivamente, mas, com o aumento do teor alcoólico na veia, declarações e intenções se tornavam mais ordinárias. Como nós, outros tantos, tal o rapaz ao lado, que estava com a esposa grávida. Um amor!

Um giro no ambiente e me pergunto: será que ainda tem homem que pensa que a mulherada se arruma toda pra eles? Ha-ha-ha. Né não, viu?!.. As xovenzinhas daquele bar eram a prova real disso e não estavam ali pra brincadeira. Algumas me pareciam ter apostado com as migs quem tinha malhado mais nos últimos dias, usando as roupas que mais delineassem as curvas. Estavam lindas, eu é quem não curto aqueles modelos – só pra ficar claro!.. Havia outras que não paravam de dar aquela checada na make e no look geral, usando o smartphone como espelho. Há quem fizesse tanta postagem, que deixasse o chopp esquentar. Detalhe é que, até onde vi, nenhuma delas estava em clima de paquera com carinha nenhum… só com elas mesmas.

Mas sabe o grupo que mais me chamou a atenção? Dois trios. Um de garotas e outro de garotos. Elas, bonitas e visivelmente bem resolvidas. Até o jeito como estavam arrumadas parecia bem mais natural que as demais, sem que estivessem um tico sequer menos belas ou bem vestidas. Não perdiam tempo com redes sociais. Estavam ali para curtir música, cerva e a amizade, com divertidos papos. Ao lado delas, o grupo de rapazes. Cada um no seu estilo, com seu charme, curtindo o ambiente, o menu, o som e o papo de amigos que pareciam ser de longa data. Não havia aquele velho mal-estar de ficar forçando a barra no decorrer da noite. Cada um na sua e todos felizes.

Diferente de outras casas noturnas, que só recebem a galera com no máximo 30, o público era de faixa etária eclética – graças a Deus – e todos estavam curtindo a seu modo, com mais ou menos gingado para a trilha musical. Por sinal, eu tava ali vibrando por ter optado, mais uma vez, pelo conforto e não ter que ficar com os pés doloridos por causa de salto alto, quando o tênis sempre me permite dançar por muito mais tempo. 😛

Mas tem gente que nasceu pra tiozão. E no pior sentido do termo. Eram no máximo 22h e o cara já estava lá cambaleando de tão bêbado. E, toda vez que passava por entre um grupo de mulheres, alisava os ombros e/ou cotovelos delas, como quem queria pedir licença, mesmo havendo espaço de sobra para que ele seguisse sem tocar em ninguém.

Tínhamos chegado umas 20h, por isso, 23h estávamos saindo, com sono, diga-se de passagem – era o corpo já nos lembrando que os 40 estão chegando. Pagamos e, na saída, uma funcionária pede nossos cartões de consumo e logo emenda com um pedido de desculpa. ”Perdoem-nos, isso não é o padrão de nossos clientes, já estamos resolvendo isso”. Olhei ao nosso lado e lá estava o tiozão, sendo segurado por dois seguranças e ainda alterando, dizendo que podiam chamar a polícia. Sem entender, perguntei o que estava acontecendo. “Ele entrou no banheiro feminino e tentou agarrar algumas mulheres”, respondeu-me a moça. Putz, que raiva eu fiquei!!..

Meu marido se saiu com essa logo de cara: “Se não fosse dar processo, era bom que o bar colocasse uma placa com a foto do sujeito lá dentro, informando que é um abusador e que, se for visto no local, deve ser imediatamente colocado pra fora”. Infelizmente, não contamos com o sistema de leis ao nosso favor – nem estamos nos tempos do velho oeste para afixar na parede um panfleto de procurado, embora esses tipinhos sejam, sim, criminosos.

O babaca não maculou a nossa atmosfera de sábado à noite, mas constrangeu algumas das mulheres da casa noturna que, talvez tenham até voltado pra casa mais cedo, sem graça, ou tiveram apenas de engolir a situação, simplesmente porque aquele homem achou que poderia se aproveitar delas… Até quando vamos ter que aguentar esses imbecis??.. Digo, certamente, por todas as mulheres: cansamos. Deixem-nos curtir em paz.

O diabo veste Adidas

Normalmente é promessa de ano-novo, mas, dado o meu histórico, tá mais pra compromisso de vida mesmo. Ô tortura é manter as atividades físicas em dia, viu?! Devo ser a queridinha do mundo fitness: dando um lucro danado às academias – nunca fecho o ciclo completo e, mesmo assim, insisto em pagar adiantado o pacote anual. É uma luta! E, então, ano novo, matrícula nova. Agora vai?..

Entendam o drama que parece já fazer parte de mim. Voltemos no tempo. Meu boletim escolar era cheio de 9 e 10,  mas, em se tratando de Educação Física, caía sempre para o B, rapando num C bem vermelhinho!..  Meu lugar mais alto era no pódio como a maior organizadora das torcidas nas Olimpíadas, mas fugia como o diabo foge da cruz das competições! Cheguei a me arriscar na ginástica rítmica e a rinite me mantinha na natação, mas gostava mesmo era das aulas de teatro que, infelizmente, nunca me fizeram perder calorias.

Passado o passado, minha vida é traçar os mais (falíveis) planos pra tentar não falhar com os exercícios. No ápice da solteirice, ia nos horários mais bombados, pra me empolgar com os gatos da academia, mas, claro, eles só tinham olhos para as meninas do mesmo naipe– e isso, meus caros, nunca almejei: não dou pra halterofilista. Não mesmo.

Ah, já tentei me integrar ao grupo do funcional, achando que exercício ao ar livre era a solução para não cair no sedentarismo de vez. Na primeira sequência no Parque da Jaqueira, sequer consegui fechar o circuito e fiquei roxa de tanto suar debaixo do sol escaldante. Fui só uma vez e ainda fiquei um tempo no grupo de WhatsApp pra ver se me animava, sem sucesso.

Vivo usando o truque de deixar a roupa e o tênis ao lado da cama, pra já acordar no pique. Depois de alguns meses com o sapato empoeirando, minha faxineira o colocou na área de serviço pra lavar e passei mais um tempão pra me lembrar da sua existência. Por falar em tênis, aliás, uma vez, um instrutor me convocou a comprar um par novo, pois disse que eu não precisava usar aquele que estava descolando. Ele dizia que o pessoal já tinha entendido que eu não era burguesinha como tantas outras ali…

Nessa época, peguei um corpão e me empolguei pra comprar uns looks mais ousados pra malhar. Oxe! Quando vi o preço das peças, desisti imediatamente. Mais caro que muita roupa que uso só em festa de casamento. Não cabe no orçamento de jornalistas.

Por isso, vou bem discreta à academia. De cara lavada, roupa amassada e empolgação só tenho na hora de conversar. Mas não consigo entender como tem um bocado de mulher vai mega maquiada, cabelo escovado, fica o tempo todo falando ou trocando mensagem ao celular pra marcar alguma farra e, mesmo sem parar de falar na cerveja que tomou ou vai tomar, tem aquela barriga seca de dar inveja. Argh!

Ó, céus, salve-nos dos pecados capitais na hora de treinar!.. Confessa aí, quando não é a inveja, bem que bate a cobiça no personal trainer gatíssimo da coleguinha, ou a preguiça nossa de cada dia de fazer o treino certinho, sem contar com o combo ódio de quem deixa a TV ligada em programas de culinária na área das esteiras só pra a gula nos pegar de jeito!..

Bem, você pode estar aí se perguntando: por que essa mulher não paga um personal?.. Ah, meu bem, já fiz isso. Nosso combinado era fazer exercícios três vezes por semana, mas, no máximo, chegava a uma aula semanal… Ela perdeu a fé em mim.

Enfim, janeiro de 2019, tô indo pra guerra. Vou esquecer o tempo perdido e começar de novo – afinal, não há incentivo maior que as roupas apertadas no pós-festas de fim de ano. Mais uma primeira ficha para o meu extenso arquivo, é verdade, mas essa vai ser A ficha de treino. Algo me diz. Hoje vi um instrutor bem gordinho, fugi – se ele não reverteu a gula dele, que dirá a minha preguiça?!.. Caí nas mãos de um aprendiz do satanás. Que Deus me defenda, mas agora vai.

Foi bom pra você?..

2018 foi um ano, no mínimo, intenso. Vamos relembrar alguns dos fatos mais marcantes?.. E me digam aí: o que teve de melhor e de pior no ano de vocês?.. Ah, adeus ano velho, viu?.. Foca em 2019, que tudo vai dar certo. 😉

FICHA TÉCNICA:

Projeto e texto: Sílvia Leitão

Fotografia: Rafael Reynaux

Edição de imagens: Sérgio Rabêlo

De carona é bem mais divertido

Acho que todo mundo tem uma história pra contar sobre as viagens em transportes públicos. Eu, inclusive. Ainda estudante, era usuária de várias linhas – desde CDU/Várzea e Rio Doce/Dois Irmãos, quando morava na Cidade Universitária, passando para Casa Amarela/Rosa e Silva e Córrego da Areia, depois de ser moradora da Zona Norte.

São muitas memórias dos “busões”. Lembram dos meninos gasguitos que subiam pra cantar, em busca do couvert dos passageiros?..  A gente era obrigado a aguentar até a última música – repertório de Chitãozinho e Xororó pra lá. Uó!!.. No meio do aperto, repentista (como no vídeo), vendedores de água e pipoca, ex-drogado dando testemunho da salvação em Cristo… E aquelas canetas que você comprava para alguém que “podia estar roubando” e, no final das contas, nem funcionava…  Alguém mais se lembra daquele senhorzinho bem magro, que andava com uma bolsa cheia de urina na Avenida Rui Barbosa? Uma imagem triste demais…

Dos tempos dos estágios em Comunicação por Recife e Região Metropolitana, não dá para esquecer do (infernal) Terminal Integrado da Macaxeira, sempre lotado; e das extintas lotações, que me levavam até Camaragibe – “Arrasta, motô”!.. Eram um insulto ao Código Brasileiro de Trânsito aquelas Kombis!.. Os motoristas corriam, furavam sinais de trânsito, ninguém usava cinto de segurança e sempre cabia mais um passageiro, mesmo que dona Maria já estivesse carregando o neto no colo, fosse o pagamento em dinheiro ou em vale A ou B.

Vieram os táxis. Morando sozinha ao final do primeiro casamento, tinha uma frota em frente a meu prédio. Sem veículo na garagem, a qualquer atraso para os compromissos, lá estava eu usando o serviço de um daqueles motoristas que estavam à disposição. Mas meu predileto era Jorge. Simpático, educado, sorridente e muito bem vestido – ele só dirige de blazer! Tinha sempre uma palavra amiga, acenava toda vez que eu passeava pela rua com Chico, meu cachorro, e ainda me emprestava livros! Fino e culto ele… Faz tempo, sou usuária VIP dos aplicativos – aqui em casa, dividimos o carro, e nem sempre estou motorizada. Mudam os veículos, multiplicam-se as histórias.

Da era Uber, 99 Táxi, Easy Táxi e afins também já tenho memórias. Infelizmente, nem todas legais. É que, em janeiro de 2017, fui vítima de um golpe, em desses carros de App. Usando identidade falsa, o sujeito me tirou pouco mais de R$ 1,2 mil, no lugar dos R$ 7,16 da corrida. Ele passou meu cartão numa maquineta com visor camuflado por identificação de uma tradicional companhia de táxi da cidade, para dar legitimidade. Ao descobrir o furto, prestei queixa, reconheci o suspeito na Polícia Civil e consegui que abrissem investigação do caso. Há mais de 30 outras vítimas como eu, tentando fazer com que ele cumpra pena pelo crime que cometeu, mesmo sem haver flagrante.

Mas, justiça seja feita: os motoristas – de ônibus, táxi, Kombi ou Uber e de APPs – sempre tiveram papel marcante em minha vida. Quando eu pegava às 6h na Folha de Pernambuco, por exemplo, o profissional que me levava sempre no mesmo horário, na linha Dois Irmãos/Rui Barbosa, já me deixava na esquina mais próxima ao jornal, para eu não andar muito pelo deserto Recife Antigo daquele horário. Detalhe: nunca fomos de conversar, a gentileza dele era fruto apenas da observação da minha realidade.

Os das empresas de comunicação em que trabalhei também são personagens da minha história. É que jornalista tem uns horários meio loucos e os patrões ficam na obrigação de nos pegar ou deixar em casa, a depender do expediente. Eles são nossos anjos, mas sempre tem aquele 1%… Um deles se destacou como vilão. O cara corria que só, até em dias de chuva, só pra dar uma de machão. Era tanta pressão psicológica andar com ele, que eu desisti do meu direito de ir com o carro do trabalho.

Mas ainda bem que meus enredos sempre tiveram mais mocinhos que bandidos. Ah, quantas vezes não contei com o companheirismo dos colegas da Rádio Jornal, que, se percebessem que eu tinha perdido a hora, ligavam até que eu acordasse, pra não chegar muito além das 4h da manhã na redação. Hoje, conto com a companhia de Seu Fábio e Lampião, que fazem do trajeto Santo Amaro-Parnamirim, às 22h, uma alegria só!

É muito papo: bastidores da emissora, política brasileira, programação do fim de semana, confissões de última hora… A mais recente delas foi narrada por um colega que sempre segue com a gente no mesmo comboio. Dia desses, ele pegou um Uber à noite e notou que estava sendo cantado pelo cara. Ihh, foi um tal de o sujeito contar sobre os clientes que até já passaram a mão na perna dele, perguntar estava namorando… Eu sei que, pra conseguir dar um chega pra lá no boy, a saída foi dizer que era filho de militar e que a educação dele não permitia esse tipo de comportamento… “Com todo o respeito, claro”, garantiu-nos.

Amigos, é por essa e por tantas outras que eu só posso dizer muito obrigada: as risadas estão sempre em dia com vocês. Mesmo depois das tardes pesadas de edição na TV, durmo leve, leve. E acordo com as energias renovadas para mais um dia, pronta para enfrentar qualquer trajeto dessa vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um Natal de paz, em nome de Jesus!..

Haddad virando réu em processo por corrupção em lavagem de dinheiro; futura ministra do presidente eleito planejando criar uma espécie de Bolsa-Estupro para vítimas de abusos sexuais; relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontando transações de R$ 1,2 milhão em um ano na conta de um ex-motorista do gabinete de deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do futuro presidente e eleito senador em outubro… Ihhh, as eleições 2018 acabaram, mas as coisas seguem quentes no Brasil. Será que o clima entre os “petralhas” e “bolsomínions” voltou a ser de paz ou nem o espírito natalino amansou as feras?.. Confere aí a crônica dessa semana e se diverte!.. 😉

FICHA TÉCNICA:

Projeto e reportagem: Sílvia Leitão

Edição de Imagens: George Cordeiro

Parente, às vezes, é serpente

Gosto de contar sobre minha vida não por ter desejos ocultos de ser vasculhada pela curiosidade alheia. Não estou à procura de um voyeur para as minhas desventuras em série. Simplesmente é que acho mais verdadeiro compartilhar o real, não o imaginário. Se bem que, às vezes, acho que minha vida daria uma boa ficção, oscilando entre comédia e drama – embora tudo o que eu sempre quis foi romance…

Na verdade, na verdade, não posso me queixar demais, viu?! Na adolescência, meus dias foram bem Sessão da Tarde. Com o tempo, surpresas muitas, permeando entre aventura e até thriller de terror. Ok, ok, não importa mais. Esses episódios ficaram para trás e, hoje, quero voltar a falar apenas sobre o que houve de comédia. Acredito que rir sempre é um remédio e tanto!

Dia desses estava me lembrando de um dos caras com quem topei que mais rapidamente me aborreceu: apenas um mês juntos. Pular fogueira, certamente, deve ter sido um termo adicionado ao dicionário popular por causa de sujeitos como ele. No tira-teima, o dia em que me colocou frente a frente com o pai ultradireita. Um terror.

Mais parecia uma pegadinha. Estava o tempo inteiro me perguntando se haveria câmera escondida por ali ou se alguém sairia por detrás da cortina pra gargalhar de mim. Mas não foi nada disso. A técnica de sabotagem do affair foi dizer àquele fã de Hitler (juro, até andava com uma suástica no carro!) que eu não era apenas jornalista, como também feminista e tinha muitos amigos gays!! Tudo o que ele julgava absurdo (acreditem!).

Uma tarde inteira de interrogatório, salva, pasmem, pela fé em Deus. É que, para o pai do boy, minha crença também era algo absurdo e foi veementemente questionada. Mas consegui encerrar respondendo prontamente: “Não há o que ser explicado. Ou se acredita ou não se acredita. E ponto final”. E, enfim, o homem parou de me encurralar contra a parede.

Pois bem, fim de história. Literalmente. Ali se acabou não apenas o diálogo mais absurdo de que participei em toda a vida, como também qualquer fio de esperança naquele relacionamento que ainda engatinhava… Não deu certo por um zilhão de motivos, claro, mas o veneninho do parente dele contribuiu um bocado.

O fracasso de bilheteria, entretanto, nem por um segundo levou embora minha fé inabalável no amor. Saí de mais uma fria com a certeza de que começaria tudo outra vez… E, alguns anos depois, cá estou, vivendo meu romance blockbuster. Já estou com meu balde de pipoca em mãos. E, você, já pegou seu ingresso?..

 

Que tal umas férias sem celular?

Férias chegando e, antes de arrumar as malas e comprar as passagens, já pensou em tirar um descanso também do smartphone?.. No mundo todo, tem turista exagerando nas selfies a tal ponto que está surgindo um movimento chamado turismofobia. Cho-ca-da. Numa praia da Argentina, por exemplo, um grupo de estrangeiros ficou passando um filhote de golfinho de mão em mão pra fazer foto e o resultado foi a morte do animal… Em Roma, na Itália, duas mulheres se atracaram porque uma estaria atrapalhando a selfie da outra lá na Fontana di Trevi – e o caso foi parar na delegacia! Meu Deus!!!.. E você? Também se excede nos cliques?.. Confere aí a crônica da semana. Espero que se divirta 😉

FICHA TÉCNICA:

Projeto e texto: Sílvia Leitão

Fotografia: Rafael Reynaux

Edição de imagens: Sérgio Rabêlo

Cative, cultive, conserve o amor

Uns chegam, outros vão. Nossa vida é com os que ficam. Li isso esses dias. Não sei a autoria da frase, mas achei incrível como, em tão poucas palavras, vai-se tão profundamente. E aí me danei a pensar na vida – nas paixões que já vivi, no amor que hoje compartilho e no que ainda quero do futuro. Afe, tanta coisa numa mente ariana só!

Ansiedade é meu sobrenome. Paciência é verbete raro no meu manual. E, segundo minha terapeuta ayurvédica, tenho olhos de pitta, o dosha do fogo. Já viu que o negócio é quente, né?! Segundo a astrologia, sou uma sonhadora. No meu extinto blog Menina Veneno, defini-me com a letra de Pagu, música de Rita Lee e Zélia Duncan: “Nem toda brasileira é bunda/ Meu peito não é de silicone/ Sou mais macho que muito homem”.

Especulações à parte, à beira dos meus 40, ainda sou uma romântica incorrigível. Acho que nunca vou deixar de ser. Sempre acreditei no amor, desde meu primeiro beijo, aos 11 anos, até mesmo quando ele me mostrou sua face mais cruel. Por sinal, doeu de verdade. E nem tinha como ser diferente. Para a mulher de Áries, nada pode ser pior que a traição de alguém querido.

Mas tantas vezes mais sofri de mal amar. Quem nunca? Desilusões de quantidade e tamanho variados. Depois de passado o pesar, prefiro me lembrar dos momentos risíveis. E, graças aos anjos que me conduzem pelos tortuosos caminhos dessa vida, são de perder a conta. Aliás, já narrei em muitas outras crônicas. Lembram? Ou: já sabem?

Como o dia em que um namoradinho da adolescência ficou pê da vida por ter que pagar ingresso do cinema e passagem do ônibus porque eu não tinha dinheiro trocado e, assim, ele ganhou fama de pirangueiro-mor entre minhas amigas do colégio. Quando o affair se achou o máximo ficando com uma cueca tipo Zorba de copinho de feira, de um tom roxo (!!!!) e eu tive que segurar a risada com muito estilo. Ou ainda a vez em que um raivoso ex-namorado deixou uma enorme caixa na portaria, com um monte de cacareco, incluindo um toco de vela que havíamos usado em um jantar a dois. Que papelão!..

Passado o parágrafo do flashback, vamos a alguns questionamos. Perguntas que sempre me fiz e nunca tive respostas satisfatórias. Garotos, sucesso da extinta banda Kid Abelha (anos 80, bebês), já dizia que eles perdem tempo pensando em qualquer truque contra a emoção. Pra mim isso é tão surreal!.. Se gosto, embarco de verdade, com boca, garras e coração. Inteira. Sem medir os passos… Ei, caras, qual é dessa de vetar sentimentos??

Aqui vou abrir um parêntese. É que Paula Toller – então vocalista do grupo que citei acima – embalou um momento bem cute das minhas histórias amorosas. Eu tinha no máximo uns 12 anos quando escrevi – sim, eu já fazia isso – para o menino que eu era apaixonada: “Depois de você/ Os outros são os outros e só” (Os outros, 1985). Que pirralha louca, achando que aquele seria o único amor da vida!… Hahhahaha. E o pior: ele não gostou, ficou com ciúme!.. heheheheh. Crianças!!

De volta à psiqué masculina, entendi que eles são variações do mesmo tema sem sair do tom, como diria Herbert Vianna, líder dos Paralamas do Sucesso, em “300 Picaretas”. Não estou falando do estereótipo de que todos não prestam – ou eu já teria partido para o outro lado do campo de ataque. Mas, assim como nós, mulheres, eles não vão sair muito do roteiro da sua natureza. Sejamos francas umas com as outras.

Relacionamentos estão sempre numa balança. A gente é que precisa saber para qual lado pende mais – das virtudes ou das imperfeições? Cuidar também é conjugar o verbo amar. O prazer a dois não pode se restringir a sexo, o que seria superficialidade demais. Respeito, carinho e atenção são coisas de que não dá para abrir mão. Nunca. Liberdade jamais pode ser confundida com libertinagem. E é o amor próprio o maior sentimento que se deve cuidar. Então, caríssimos, uns chegam, outros vão. Nossa vida é com os que ficam. Cative. Cultive.  Conserve o amor.

 

Está aberta a temporada de confras!

Eu adoro dezembro, fico até emotiva. Verdade. Vem um filme na cabeça ao lembrar de tudo por que passei o ano todo, junto com o gostoso clima que paira no ar quanto mais nos aproximamos do Natal. Mas, para a alegria geral da nação, o mês marca a chegada da temporada de confraternizações!.. E aí, meus caros, é uma crônica à parte… E eu resolvi usar e abusar de alguns dos colegas da TV Clube/Record TV Recife (onde sou editora) pra demonstrar um pouquinho desse universo paralelo pra vocês. Espero que se divirtam, com o vídeo e com as suas confras de fim de ano por aí – só não se esqueçam de tomar aquele remedinho, antes e depois da farrinha. Já eu, tô lascada, se fizer bobagens, terei que arcar com a ressaca mesmo. Sou alérgica a Engov 🙁

FICHA TÉCNICA:

Projeto e texto: Sílvia Leitão
Fotografia: Rafael Reynaux
Edição de imagens: Eliel Rodrigues